Íntegra da fala do Papa Francisco na audiência com os peregrinos da canonização de Scalabrini

Durante a audiência do Papa Francisco na segunda-feira, 10, na Sala Paulo VI, o pontífice falou aos peregrinos que foram ao Vaticano para a canonização de São João Batista Scalabrini, ocorrida no domingo, 9.

As Irmãs Scalabrinianas participaram da audiência junto a outros peregrinos de todo o mundo, que incluíam leigos e migrantes. Acompanhe abaixo a íntegra da fala do Papa Francisco na ocasião.

Caros Irmãos e Irmãs, bom dia! Bem-vindos!
É tudo festa! Agradeço as palavras de saudação e de apresentação. Estou feliz de estar um pouco com vocês, que participaram ontem da Celebração Eucarística de Canonização de São João Batista Scalabrini. Vocês são uma assembleia muito arejada, hein? Isso é belo! Estão os missionários, missionárias Scalabrinianos e Scalabrinianas, leigos, fiéis da Diocese de Como e Piacenza e migrantes de tantos países. Uma bela mistura e isso é muito belo.

Desse modo, vocês representam bem a amplidão da obra de Scalabrini e a abertura de seu coração, a qual, para assim dizer, bastava uma diocese. De grande relevância foi seu apostolado junto aos migrantes italianos, que naquela época partiam aos milhares rumo às Américas. Monsenhor Scalabrini os olhava com o olhar de Cristo, como nos fala o Evangelho de Mateus 6, 30: “Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor”.

Ele se preocupou com grande caridade e inteligência pastoral de assegurar a eles uma adequada assistência espiritual e material. Também hoje as migrações constituem um desafio muito importante. E se coloca em evidência a impelida necessidade de se sobrepor a fraternidade à exclusão, a solidariedade frente à indiferença. Hoje cada batizado é chamado a refletir o olhar de Deus rumo aos irmãos e às irmãs migrantes e refugiados. E são tantos. A deixar que seu olhar alargue o nosso, rumo ao encontro com a humanidade em caminho, por meio de uma proximidade concreta, segundo exemplo de Scalabrini.

Somos chamados hoje a viver e difundir a cultura do encontro. Um encontro entre os migrantes e as pessoas dos países que os acolhem. Trata-se de uma experiência enriquecedora, enquanto revela a beleza da diversidade e também fecunda porque a fé, a esperança e a tenacidade dos migrantes possam ser exemplo e estimulem para os que querem empenhar-se a construir um mundo de paz e de bem-estar para todos. E para que seja para todos, vocês o sabem bem, é necessário começar pelos últimos. Se não se começa pelos últimos não é para todos. Como uma excursão nas montanhas, se os primeiros correm, o grupo de dissolve. E os primeiros, depois de um pouco, explodem. Se, pelo contrário, segue-se os passos dos últimos, todos seguem juntos. É uma regra de sabedoria: quando andamos, quando peregrinamos, sempre devemos seguir os passos dos últimos.

Para promover a fraternidade e a amizade social somos todos chamados a ser criativos, a pensar fora dos esquemas, somos chamados a abrir espaços novos, onde a arte, a música e o estar juntos se tornem instrumentos de dinâmicas interculturais, onde possamos saborear a riqueza do encontro e da diversidade.

E por isso, vos exorto, missionários e missionárias scalabrinianos a deixar-vos sempre inspirar pelo vosso Santo Fundador, pai dos migrantes, de todos os migrantes. Que seu carisma renove em vocês a alegria de estar com os migrantes, de estar ao serviço deles, e de fazê-lo com fé, animados pelo Espírito Santo, na convicção de que em cada um deles encontramos o Senhor Jesus. Isso ajuda vocês a terem o estilo de uma gratuidade generosa, a não poupar recursos físicos e econômicos para promover os migrantes de forma integral; e também ajuda vocês a trabalhar na comunhão de propósitos, como uma família, unidos na diversidade.

Caros irmãos e irmãs:
Que a santidade de João Batista Scalabrini “nos contagie” o desejo de sermos santos, cada um de forma original e única, como nos fez e nos quer a fantasia infinita de Deus. Que a sua intercessão nos dê a alegria e a esperança de caminharmos juntos em direção à nova Jerusalém, que é uma sinfonia de rostos e povos, em direção ao Reino da justiça, fraternidade e paz.

Obrigada por terem vindo para esta festa. De coração vos abençoo e a todos os vossos companheiros de estrada onde vocês vivem. Por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Obrigada!

Tradução livre de Nayá Fernandes em 10 de outubro de 2022.
Da Equipe de Comunicação Virtual

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